Blackbird SR-71, a incrível história da aeronave mais rápida já construída

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Blackbird, SR-71, como preferir chamar, foi uma aeronave de reconhecimento estratégico que teve sua produção iniciada em 1964, totalizando 32 aeronaves construídas, 12 foram perdidas para acidentes, entretanto nenhuma foi abatida em operações.

 

Falando um pouco mais sobre o projeto em si, trata se de um monocoque, sim uma estrutura sólida revestida por titânio. Titânio? como assim? isso é caro e pesado! Sim, é caro, é pesado mas é necessário devido a velocidade que a aeronave alcançada em cruzeiro, por mais que estivesse a 90 mil pés as temperaturas da superfície variavam entre 240 ºC até 320 ºC com picos de até 565 ºC em algumas regiões da fuselagem da aeronave.

Pois bem, como eles conseguiram controlar o calor da aeronave?

“Simples” e ao mesmo tempo complexo, a solução encontrada pelos engenheiros foi de fazer circular o combustível através de linhas debaixo da fuselagem, fazendo com que houvesse transferência de calor para o combustível mantendo ele em estado ideal para combustão no motor e refrigerando a superfície da aeronave, uma ideia eficiente entretanto arriscada, tendo em vista que era um aeronave de espionagem, vale ressaltar que era um combustível especial que possuía alta estabilidade térmica e não depositavam impurezas nos sistemas de passagem, para se ter uma ideia o combustível possuía uma pressão de vapor tão baixa e um ponto de ignição tão alto que se um fósforo aceso fosse atirado em uma poça dele, ele era apagado.

Continuando o assunto calor e atrito, suas janelas eram feitas de quartzo, a temperatura de superfície externa delas passava de 300 ºC e enquanto isso por dentro elas chegavam a formarem gelo, extremos que só encontramos nessa aeronave única. Durante o pouso a superfície da aeronave beirava seus 300 ºC, velocidade média de pouso da aeronave era de 170kt e ela utilizava um paraquedas para reduzir o uso dos freios e reduzir o stress causado aos pneus dela.

 

Qual motor ela utilizava?

O belíssimo J-58, um motor turbojato axial fabricado pela Pratt and Whitney em 1958 com 9 estágios de compressão, especialmente desenvolvido para o SR-71 e o A-12, esse motor capaz de gerar 34 mil lbs de empuxo (150kN) com o afterburner, esse motor é tão bruto que “sugava” aproximadamente 136kg/s de ar na decolagem, sim 136kg por segundo de ar durante sua decolagem.

Acionamento do motor como é de imaginar era diferente também, pois era necessário atingir uma temperatura ideal para a queima do combustível especial, no qual o litro dele chegava a custar mais caro do que o melhor Whisky da época (1958-1964), para auxilar no acionamento do motor era injetado Triethylborane (TEB) na câmara de combustão, que se incendia em contato com o ar causando uma labareda de tom esverdeado, que é comum de se ver no acionamento da aeronave.

(Vista da J-58 durante acionamento, era comum ter uma chama esverdeada)

 

O Afterburner, pós combustor, era utilizado em decolagens, tendo em vista que a superfície da aeronave possuía espaços para a dilatação do titânio em velocidade supersônica, a prioridade era decolar, pois havia vazamento de combustível enquanto a aeronave estava no solo.

Esse motor é tão bruto que após um segundo 1,5s com afterburner a temperatura do ar a 1km atrás da aeronave era de aproximadamente 900 ºC, a temperatura de trabalho da camara de combustão e do afterburner dessa aeronave era de aproximadamente 1760 ºC

(Afterburner da J-58 em ação)

 

O motor do SR-71 possuía uma espécie de cone em sua frente, que servia para regular o fluxo de ar e auxiliar a manter a mistura ar/combustível ideal em velocidades acima do som, acima de mach 1.5 era comum você ter a alteração da posição do cone para evitar excesso de ar no motor, desta maneira a mach 3.2 você consegua manter o mesmo volume de ar entrando no motor de velocidades subsônicas (abaixo da velocidade do som). Nas imagens abaixo é possível ver o choque do cone de mach e compreender um pouco mais sobre a função dessa peça em voo.

Vale ressaltar que até 1980 o controle dessa peça era feita pelo piloto, após 1980 foi instalado um componente eletrônico capaz de calcular e manter o cone em posição ideal sempre independente da velocidade da aeronave.

Como era o SR-71 por dentro?

Falando um pouso de sua construção, é interessante ver esse gigante somente em seu esqueleto para compreender um pouco mais ele, seguem algumas imagens de sua linha de construção

(Sem dúvida uma linha de construção completamente diferente do que estamos a costumados a ver hoje em dia)

Sobre como é dividido o SR-71, a imagem abaixo mostra o básico sobre esse assunto, não irei me aprofundar pois são 331 pontos a serem detalhados.

 

 

Essa aeronave era usada para espionar o que?

Com sua alta velocidade, e altitude de cruzei de incríveis 90 mil pés (30km) o SR-71 era eficiente em espionagem fotográfica, com um desenho stealth ele foi projetado para ser invisível aos radares, levava um pintura de pó de ferro especial, um tinta feita na época para refletir as ondas dos radares que batiam sobre a superfície da aeronave.

Equipando uma câmera fotográfica capaz de focar uma bola de golf em movimento enquanto a aeronave está a 90 mil pés a mach 3 sem dúvidas o SR-71 foi uma das maiores inovações tecnológicas na época. Sua câmera fotográfica era equipada com inúmeros sensores, havia um setor na aeronave somente para os sensores e de fios que compõe o equipamento fotográfico. era instalado na parte inferior da aeronave e operada pelo co-piloto.

Abaixo temos algumas imagens de como era o equipamento fotográfico instalado a bordo do SR-71 e como ele fazia a varredura do terreno em voo.

O SR-71, graças à grande altitude, tinha a capacidade de fazer vigilância de 270 mil quilômetros quadrados por hora, e isso sem precisar sobrevoar território inimigo.

Uma missão sobre Cuba, por exemplo, podia durar meros 4 minutos. Dezenas de milhares de fotografias eram tiradas durante cada missão. Não eram armados, mas possuíam uma suite de equipamentos defensivos, em sua maior parte constituídos de equipamentos de contra-medidas eletrônicas.

Para mais informações sobre o equipamento clique aqui 

SR71 Camera Package

 

E os pilotos? Como era a rotina deles?

Bem como o SR-71 era uma aeronave estratégica os pilotos também eram os melhores, com trajes pressurizados e treinamentos especias somente os melhores tiveram a oportunidade de voar o SR-71.

Sobreviver a bordo do SR-71 era uma missão, pois em condições extremas (altitude e velocidade) sempre constituía em um grande risco para a tripulação.

Os tripulantes usavam um traje de voo pressurizado semelhante aos dos astronautas dos programas Mercury e Gemini, em suas missões.

O SR-71 possuía sistema de ejeção que foi projetado especialmente para permitir a sobrevivência em grandes altitudes e velocidades.

(Uniformes pressurizados eram usados para garantir a segurança da tripulação)

O cockpit, totalmente analógico para os leigos não passam de inúmeros “relógios” num painel de um aeronave e um emaranhado de botões para apertar e ficar atento, mas para os entendedores, cada item no painel era um indicador, combustível, velocidade, pressão de linha etc…

Interessante e vale ressaltar que o piloto e o co-piloto eram isolados em seus cockpits, diferente de outros caças a comunicação deles era apenas via rádio.

(O piloto possuía essa visão a bordo do SR-71)

(Visão do co-piloto a bordo do SR-71)

(Tripulação ficava separada na aeronave)

(Selfie a bordo do SR-71)

 

Sistema de navegação:

Uma aeronave tão avançada para sua época e veloz exigiu um sistema de navegação especial. Foi desenvolvido um sistema de navegação inercial no qual a correção era feita pelo rastreamento de estrelas no céu, mesmo durante o dia o sistema era eficaz.

Chamado de Astro inercial, esse sistema é totalmente autônomo e independente de satélites para seu funcionamento, e atualmente ainda constitui no sistema de navegação principal  de muitas aeronaves “invisíveis” que operam na Força Aérea dos Estados Unidos.

 

Recordes do SR-71

  • Date: 28 July 1976
  • Crew: Capt. Robert C. Helt and Maj. Larry A. Elliott
  • Altitude: 85,068.997 feet

Speed Over a Straight Course

  • Date: 28 July 1976
  • Crew: Capt. Eldon W. Joersz and Maj. George T. Morgan
  • Average Speed: 2,193.167 mph

Speed Over a Closed Course

  • Date: 27 July 1976
  • Crew: Maj. Adolphus H. Bledsoe, Jr. and Maj. John T. Fuller
  • Distance: 1,000 km
  • Average Speed: 2,092.294 mph

Speed Over a Recognized Course: New York to London

  • Date: 1 September 1974
  • Crew: Maj. James V. Sullivan and Maj Noel F. Widdifield
  • Distance: 3,461.53 miles
  • Time: 1 hour, 54 minutes, 56.4 seconds
  • Average Speed: 1,806.964 mph

Speed Over a Recognized Course: London to Los Angeles

  • Date: 13 September 1974
  • Crew: Capt. Harold B. Adams and Capt. William C. Machorek
  • Distance: 5,446.87 miles
  • Time: 3 hours, 47 minutes, 39 seconds
  • Average Speed: 1,435.587 mph

Speed Over a Recognized Course: West Coast to East Coast

  • Date: 6 March 1990
  • Crew: Lt. Col. Ed Yeilding and Lt. Col. J.T. Vida
  • Distance: 2,404.05 miles
  • Time: 1 hour, 7 minutes, 53.69 seconds
  • Average Speed: 2,124.51 mph

Speed Over a Recognized Course: Los Angeles to Washington, D.C.

  • Date: 6 March 1990
  • Crew: Lt. Col. Ed Yeilding and Lt. Col. J.T. Vida
  • Distance: 2,299.67 miles
  • Time: 1 hour, 4 minutes, 19.89 seconds
  • Average Speed: 2,144.83 mph

Speed Over a Recognized Course: Kansas City to Washington, D.C.

  • Date: 6 March 1990
  • Crew: Lt. Col. Ed Yeilding and Lt. Col. J.T. Vida
  • Distance: 942.08 miles
  • Time: 25 minutes, 58.53 seconds
  • Average Speed: 2,176.08 mph

Speed Over a Recognized Course: St. Louis to Cincinnati

  • Date: 6 March 1990
  • Crew: Lt. Col. Ed Yeilding and Lt. Col. J.T. Vida
  • Distance: 311.44 miles
  • Time: 8 minutes, 31.97 seconds
  • Average Speed: 2,189.94 mph

 

Aposentadoria

O SR-71 Blackbird voou pela primeira vez em 22 de dezembro de 1964, entrando em serviço ativo em janeiro de 1966, após muitos anos de operação a aeronave foi aposentada devido ao alto custo operacional e a ineficiência dos motores, que consumiam muito combustível, o SR-71 decolava apenas com o necessário, após sua decolagem ele ia diretamente para uma aeronave de reabastecimento, para “completar” os tanques e seguir para sua missão.

O SR-71 fez seu último voo em 9 de outubro de 1999, colocando um ponto final na história da aeronave mais veloz já construída

Sucessor

Foi cogitado a construção do SR-72 em 2016 o custo do projeto foi anunciado pela Lockheed Martin em 1 bilhão de dólares, mas não existe uma previsão para iniciar o projeto

 

Curiosidades

O Sr-71 possui “rugas” em sua fuselagem que em alta velocidade dilatam com o calor do atrito e completam as lacunas em sua fuselagem deixando ele selado

Os tanques de combustível vazam em solo, inúmeras “bacias” são colocadas debaixo da aeronave para evitar a contaminação do piso com o combustível

32 aeronaves foram construídas, 12 sofreram acidentes entretanto nenhuma foi abatida

 

Especificações da aeronave

General characteristics

  • Crew: 2: Pilot and Reconnaissance Systems Officer (RSO)
  • Payload: 3,500 lb (1,600 kg) of sensors
  • Length: 107 ft 5 in (32.74 m)
  • Wingspan: 55 ft 7 in (16.94 m)
  • Height: 18 ft 6 in (5.64 m)
  • Wing area: 1,800 ft2 (170 m2)
  • Empty weight: 67,500 lb (30,600 kg)
  • Loaded weight: 152,000 lb (69,000 kg)
  • Max. takeoff weight: 172,000 lb (78,000 kg)
  • Wheel track: 16 ft 8 in (5.08 m)
  • Wheelbase: 37 ft 10 in (11.53 m)
  • Aspect ratio: 1.7
  • Powerplant: 2 × Pratt & Whitney J58-1 continuous-bleed afterburning turbojets, 34,000 lbf (151 kN) each

Performance

  • Maximum speed: Mach 3.3(2,200+ mph, 3,540+ km/h, 1,910+ knots) at 80,000 ft (24,000 m)
  • Range: 2,900 nm (5,400 km)
  • Ferry range: 3,200 nm (5,925 km)
  • Service ceiling: 85,000 ft (25,900 m)
  • Rate of climb: 11820 ft/m (60 m/s)
  • Wing loading: 84 lb/ft² (410 kg/m²)
  • Thrust/weight: 0.44

 

Museu

Segue a lista de museus que você pode encontrar o SR-71: Clique aqui

 

Aos que se interessarem, segue um documentário abaixo em português.

 

Fontes: Wikipedia

Lockheed Martin

SR-71- ORG

 

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